Bem Vindos O que os homens chamam de amizade nada mais é do que uma aliança, uma conciliação de interesses recíprocos, uma troca de favores. Na realidade, é um sistema comercial, no qual o amor de si mesmo espera recolher alguma vantagem. La Ro

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Nov 08

        Apresentou-se na firma de
        colocação de mão-de-obra.
        Após horas na fila de desempregados,
        chegou a sua vez de ser entrevistado:
        - Sabe fazer o quê?
        - Bem, entendo de construção civil, meu pai
        trabalhava no ramo. Gosto de culinária e acho
        que não me daria mal na agricultura.
        - Hum, Hum.
        O que tem feito ultimamente?
        - Sou andarilho, espalho novas
        idéias e boas notícias.
        - Ora, isso tudo é muito vago.
        Quero saber quais são as suas aptidões.
        - Sou bom em recursos humanos.
        Sei organizar grupos e incentivar pessoas.
        - Considera-se um homem dotado
        de espírito de competitividade?
        - Sou mais pela solidariedade.
        Gosto de somar esforços, unir o que está dividido,
        quebrar distâncias, incluir os excluídos.
        - Na área da saúde, tem algum conhecimento?
        - Sim, às vezes faço curas por aí.
        - Isso é exercício ilegal da medicina. Só os médicos
        e os medicamentos cientificamente
        comprovados podem curar.
        Ou será que você também embarcou
        nessa onda de que meditação cura?
        - É, meditação traz boa saúde.
        É o meu caso. Medito todas as
        manhãs ou ao anoitecer.
        Às vezes passo toda a noite meditando.
        E, como vê, gozo de muito boa saúde.
        - Que mais sabe fazer?
        - Sei pescar, preparar anzóis, monitorar
        uma embarcação e até assar peixes.
        - Bem, no momento não há procura neste ramo.
        Os japoneses já ocuparam todas as vagas.
        Se fosse escolher uma profissão, qual seria?
        - A de publicitário.
        Creio que sou bom de propaganda.
        - Que tipo de produto gostaria de vender?
        - A felicidade.
        - A felicidade?
        - Sim, como o senhor escutou.
        - Meu caro, a felicidade é o bem mais
        procurado do mundo. É uma demanda infinita.
        É o que todo mundo busca. Só que ninguém
        ainda descobriu como oferecê-la no mercado.
        O máximo que temos conseguido é tentar
        convencer que ela resulta da soma dos prazeres.
        - Como assim?
        - Se você usar esta roupa, tomar aquela bebida,
        passar no cabelo aquele produto, viajar para
        tal lugar, você haverá de encontrar a felicidade.
        - Mas isso é enganar a freguesia.
        A felicidade não se confunde com nenhum
        bem de posse. Ela só pode ser encontrada no amor.
        - Bela teoria!
        E pensa que as pessoas não têm medo de amar?
        - Têm medo porque não têm fé.
        Se acreditassem em alguém e em
        si mesmas, amariam despudoradamente.
        - Vejo que você é mesmo bom de lábia.
        Quer um emprego de vendedor de cosméticos?
        - Prefiro não vender ilusões.
        Melhor oferecer esperanças.
        - Esperanças? Do jeito que o mundo está?
        Cara, trate de ganhar seu dinheiro.
        Hoje em dia é cada um por si e Deus por ninguém.
        - Não penso assim. Se houver esperança
        de um futuro melhor, haverá indignação
        frente ao presente injusto.
        Então as pessoas haverão de mudar as coisas.
        - Pelo que vejo você gosta de política.
        - Não sou político, mas exerço o
        meu direito de cidadania.
        Defendo os direitos dos pobres.
        - Desconfio que você é um desses
        vagabundos utópicos que nas praças
        divertem os jovens aos domingos.
        Você bebe?
        - Só vinho.
        - Como é o seu nome?
        - Jesus, mas pode me chamar de Emanuel.

       

publicado por SISTER às 08:12
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