Bem Vindos O que os homens chamam de amizade nada mais é do que uma aliança, uma conciliação de interesses recíprocos, uma troca de favores. Na realidade, é um sistema comercial, no qual o amor de si mesmo espera recolher alguma vantagem. La Ro

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Out 09


      Neste sítio, onde nasci,

      Floresciam cafezais;

      Terra cheia de magia

      E de encantos naturais.

      

      Todo o dia a passarada

      Acordava a bela aurora,

      Que trazia sol dourado,

      Com fantasias à flora.

      

      As arapongas da mata,

      Os periquitos em bando,

      No alpendre, o papagaio,

      Pombas-do-ar arrulhando.

      

      Com jacá de milho às costas

      Vejo, ainda, o nego Tião,

      Espantando mil rolinhas

      Do interior do mangueirão.

      

      A madrinha, com vasilha,

      Saiu, às pressas, da tulha;

      Assustada, de repente,

      Gritou logo pela Júlia.

      

      -“O que foi, Dona Sinh’Ana,

      É esse pato faminto”?

      -“Não! Não! Afasta pra mim

      Essa galinha de pinto”!

      

      E tico-ticos peraltas

      Ficavam o dia inteiro,

      Roubando farta quirera

      Dos patinhos do terreiro.

      

      No calor do sol da tarde,

      Garotos, no ribeirão,

      Banhavam-se em algazzarra,

      Vestidos tal qual Adão.

      

      E na areia do riacho

      Espreguiçavam-se patos,

      Sob os olhares amigos

      De dois cães e quatro gatos.

      

      A pobre vaca, a Laranja,

      Do Laudelino adquirida,

      Sofria ataque esquisito:

      Ficava doida varrida.

      

      Fazia-se rapadura,

      Quando se moía a cana;

      Os garotos alegravam-se

      Com garapa de caiana.

      

      À noite rangia o monjolo,

      Pilando porções de milho,

      Ou moía alvas mandiocas,

      Das quais provinha o polvilho.

      

      Na época da colheita,

      O cafezal era rubro;

      Colhia-se o café,

      Que secava até outubro.

      

      Os freqüentes mutirões

      Reuniam a rapaziada;

      À noite, o fandango e o baile

      Davam vida a madrugada.

      

      A gaita de oito baixos,

      Viola, pandeiro e violão

      Soavam, em serenata,

      E acordavam o grotão.

      

      Naqueles bailes de outrora,

      Dançava-se muito a gosto:

      O cavalheiro vestia

      Máscara preta no rosto.

      

      Quanta saudade do sítio,

      Do sítio, onde nasci,

      Pois lá nasceu minha infância,

      Da qual jamais me esqueci.

      

      Hoje mudaram-se os dias,

      Mas com sentimento e fé,

      Minha infância ainda sinto,

      Lá no sítio São José.


      

    

publicado por SISTER às 11:53

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