Bem Vindos O que os homens chamam de amizade nada mais é do que uma aliança, uma conciliação de interesses recíprocos, uma troca de favores. Na realidade, é um sistema comercial, no qual o amor de si mesmo espera recolher alguma vantagem. La Ro

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Jun 09

Se já recolheste migalha de luz, diminui a sombra no outro...

            Vê-lo-ás, em toda parte, esperando-te auxílio.
            Esse apela para teu pão.
            Aquele aguarda a sombra de tua veste.
            Esse esmola bagatela de tua bolsa.
            Aquele roga um minuto de gentileza.
            Entretanto, mais que isso, o outro pede compreensão.
            Estava pressionado e feriu-te.
            Falava sem pensar e disse a palavra que te magoou.
            Superestimou a si mesmo e rolou no charco.
            Enlouqueceu e tenta arrastar-te ao desequilíbrio.
            Ainda quando te faça perder as últimas forças nas últimas lágrimas, compadece-te dele e ampara sempre.
            Se soubesse o que sabes, não seria problema.
            Se pudesse sustentar-se, não cairia.
            Muitas vezes terá tido o propósito de acertar, mas, perdido no nevoeiro da ignorância, tomou o erro pela verdade.
            Estimaria, decerto, sentir como sentes; contudo, ainda não recebeu no caminho as oportunidades que recebeste.
            Se te ironiza, oferece-lhe paciência.
            Se te ofende, consagra-lhe paciência maior. Ainda mesmo em se mostrando embaraçado no crime, não lhe roubes o testemunho de amizade e esperança, porque amanhã, colhido no esfogueante tribunal do remorso, lembrará teu consolo como gota de bênção.
            Se és a vítima, compadece-te ainda mais, porque não desconheces quanta dor há na conta da vida para o verbo que amaldiçoa e para a mão que apedreja.
            O outro é pedaço de nossa história, retratista de nossos atos, espelho de nossas aquisições, reflexo de nós mesmos.
            Em casa, é quem te comunga a faixa doméstica.
            No mundo, é o companheiro de experiência, seja na taça da simpatia ou no gral da aversão.
            Desse modo, sempre que impelido ao discernimento do bem, pensa no outro...
            Seja quem seja, será sempre a notícia do bem que vibre em tua alma, porque o bem que lhe ofertes é o bem verdadeiro que a Lei te credita no livro da consciência.

            A árvore é julgada pelos frutos.
            A criatura é vista pelas próprias obras.

            Em todos os sucessos que partilhemos, alguém nos carrega a imagem.
            Aquilo, pois, que fizeste ao outro, a ti mesmo fizeste.

           

publicado por SISTER às 10:54
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