Bem Vindos O que os homens chamam de amizade nada mais é do que uma aliança, uma conciliação de interesses recíprocos, uma troca de favores. Na realidade, é um sistema comercial, no qual o amor de si mesmo espera recolher alguma vantagem. La Ro

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Abr 09

Pensando bem, não sou essa mulher fatal
que você pensa que eu sou. Aquelas histórias de sedução foram
 todas inventadas, esse ar superior, de quem sabe lidar com a vida,
 é apenas auto-defesa.

Aquelas frases filosóficas, foram só pra te impressionar,
pra te passar essa ilusão de intelectual... na verdade
eu ainda  nem sei se acredito nos valores que me ensinaram,
quanto mais em frases feitas e opiniões formadas!

Senta aí, vai! Deixa eu tirar os sapatos, desmanchar
o penteado, retirar a maquiagem... quero te mostrar que
assim de perto não sou tão bonita quanto pareço, por
isso uso todos esses artifícios.

 É que no fundo tenho um medo terrível de que você me ache
feia,de que você encontre em mim uma série de imperfeições.

Sabe, não quero mais usar essa máscara de mulher
inatingível, de mulher forte, com punhos de aço...
No íntimo me sinto uma pequena ave indefesa, leve demais
para enfrentar o vento e que deseja ficar no aconchego do
ninho e ser mimada até adormecer.

Olha pra mim, às vezes minha intimidade não
tem brilho nenhum e você terá que me amar muito
para suportar essas minhas impotências.

Deixa eu tirar o casaco, tirar o cansaço... essa jornada dupla
me deixa tão carente... A convicção de independência afetiva?
 É tudo balela! Eu queria mesmo era dividir
a cama, a mesa, o banho... Queria dividir os sentimentos,
os sonhos, as ilusões... um pedaço de torta, uma
xícara de café,  algum segredo...

Ah, eu tenho andado por aí, tenho sido tantas mulheres que
não sou! Quantas vezes me inventei e até me convenci da minha
 identidade. Administrei minha liberdade.

Tomei aviões, tomei whisky... troquei a lâmpada, abri
sozinha o zíper do vestido... decidi o meu destino com
tanta segurança... mas não previ que na linha da minha
vida estivesse demarcada uma paixão inesperada.

Agora, cá estou eu, quarenta e poucos anos e toda
atrapalhada, tentando um cruzar de pernas diferente,
um olhar mais grave, um molhar de lábios
sensual... mas não sei direito o que fazer para agradar.

Confesso que isso me cansa um pouco. Queria mesmo era
falar de todos os meus medos, "dos seus medos?" você diria,
como se eu nunca tivesse temido nada.

Queria lhe falar das minhas marcas de infância, dos animais
 que tive, do meu primeiro dia de aula... queria falar
dessas coisas mais elementares, e lhe levar à casa da minha
mãe, lhe mostrar meu álbum de retrato (eu, me equilibrando
nos primeiros passos ) ah, queria lhe mostrar minha
primeira bicicleta, com truques. Ela ainda existe!

Queria lhe mostrar as árvores que eu plantei
(como elas cresceram!) e todas essas coisas que são tão
importantes pra mim e tão insignificantes aos outros.

Ah, você queria falar alguma coisa? Está bem! Antes,
só mais uma coisinha: estou morrendo de medo que você
saia desta cena antes de mim, que você saia, à francesa,
desta história e eu tenha que recolocar
minha máscara e me reinventar ,outra vez...

publicado por SISTER às 11:37

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