Bem Vindos O que os homens chamam de amizade nada mais é do que uma aliança, uma conciliação de interesses recíprocos, uma troca de favores. Na realidade, é um sistema comercial, no qual o amor de si mesmo espera recolher alguma vantagem. La Ro

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Nov 08

      Quando sozinho sem ti, deixo de ser eu,
      para passar a ser uma coisa qualquer,
      sem sentido algum, que me mostre uma
      estrada limpa, por onde caminhar, meus
      passos, abandonados ao silêncio citadino.

      Perco-me na cidade, por entre esquinas e
      ruelas, onde impera o verdete dos degraus,
      como cotos amputados, para velhos e
      jovens, que aí encontraram o seu refúgio,
      e eu a minha dolorosa e tão inapta solidão.

      Em minha mente, caminhando ao acaso,
      apenas o teu belo rosto e sublime sorriso,
      faz descer até mim o sol, deixando-me um
      pouco de seu calor, fazendo, com que minha
      vista, vá mais além, até ao rumor do bulício.

      Em gesto natural, minhas mãos, buscam as
      tuas, como é de costume, ao caminharmos,
      de mãos dadas, em nossos passeios rituais,
      sempre procurando a sombra das árvores,
      vislumbrando o abundante mar, mais abaixo.

      Lembro-me de, como, quando estás na praia,
      sublime presença, à beira-mar, ficas a olhar o
      horizonte, fascinada com o encontro do céu,
      com o mar e, resolvendo caminhar um pouco,
      te deleitas, vendo, das conchas, as mais belas.

      Ah, mas, meu doce amor, senão fossem estas
      recordações, o ter-te presente, sem nem
      sequer estares em presença, junto a mim, não
      imagino, quão lúgubre se tornaria a minha vida,
      quando se faz silente, e, eu, pouco mais que nada?

      E torno a passar pelo nosso jardim, que, de tão
      bem cuidado, diz bem de nosso amor e empenho,
      posto nele a cada instante, cheio de lindas flores,
      que dão gosto ver crescer, quais setas apontadas
      ao azul do céu e ao âmago, vivificante do rei sol.

      Por isso te digo, quando sem ti, deixo de existir,
      perco o norte e o caminho, de regresso a casa,
      e meus versos fazem-se tristes, entre quatro
      paredes, que esmurro, quase sem consciência,
      ante esta inércia, espreitando um descuido meu.


     

publicado por SISTER às 11:31

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