Bem Vindos O que os homens chamam de amizade nada mais é do que uma aliança, uma conciliação de interesses recíprocos, uma troca de favores. Na realidade, é um sistema comercial, no qual o amor de si mesmo espera recolher alguma vantagem. La Ro

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Nov 08

              Em minha insanidade, fiz-me presidente do mundo!
              Sim! Mundo este que eu mesmo construí!
              No medo que meu deu por segundos,
              com as notícias tristes que ouvi!

              A morte andava pelas ruas...
              Vestida, às vezes, de terno e gravata!
              Quando não, pela periferia descia,
              no tráfico fazendo bravata...

              Às vezes vinha fardada!
              Quase sempre sem avisar...
              Matava sem dó à luz do dia,
              dizendo-se polícia militar!

              Noutras chegava de velhinho,
              Trazendo docinhos tenros pelas mãos!
              Aproveitando-se dos olhos brilhantes
              de qualquer garotinho...
              Maculava a inocência! Sem coração.

              Neste segundo, fiz-me presidente!
              Num ato talvez desesperado...
              Construí num lugar do poente,
              meu país idealizado!

              As ruas eram calmas
              e as cantigas se ouviam nas casinhas...
              que Mostravam varandas pequenas de
              vermelhão,
              casas pintadas tão branquinhas !

              As galinhas cruzavam os quintais
              num bucólico quadro tão real...
              Os pardais anunciavam tagarelas,
              a chegada do fresco madrigal...

              Um padre bonachão lá na igreja!
              Ensaiava com prazer a molecada...
              Um coral com violas sertanejas,
              para quermesse em breve anunciada!

              Vendas de portas duplas...
              Desbotadas ao tempo do lugar!
              Um turco no balcão que a tudo tinha...
              Caderneta para quem quiser marcar!

              Chafariz na pequenina praça!
              Um coreto onde costumava tocar um sanfoneiro...
              Ao canto um cheiro gostoso dos domingos,
              que anunciava a presença: o pipoqueiro!

              Na delegacia dormia o guarda...
              Com a grande barriga que ao pobre maltrata!
              Nas celas abertas dormia seu cão,
              preguiçoso  e velho vira-lata !

              Procissão e terços
              escutados, em quase mantra, nas vizinhas!
              Velas que iluminavam a noite e o rosto
              corado das mocinhas!

              Cada qual com seu emprego!
              A lavoura pintava aqueles vales...
              A fartura chegava pelas mesas,
              trazida dos muitos pomares!

              Meus filhos chegavam de rostinhos corados...
              Sujos com a doçura dos ingás!
              Em algumas vezes com os corpinhos molhados,
              das chuvas que caíam no lugar !

              Em minha insanidade, fiz-me presidente!
              Num ato talvez desesperado...
              Construí num lugar do poente,
              meu país idealizado!

              Só havia a minha pequenina cidade
              perdida no meio do nada...
              Ali eu fingia!
              Antes não teve qualquer história,
              nada mais existia...

              A partir dali tudo começava e tudo
              terminava...
              Um país feliz, quem diria?
              No meio do nada!

publicado por SISTER às 09:57

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