Bem Vindos O que os homens chamam de amizade nada mais é do que uma aliança, uma conciliação de interesses recíprocos, uma troca de favores. Na realidade, é um sistema comercial, no qual o amor de si mesmo espera recolher alguma vantagem. La Ro

27
Fev 11

                  O louco saiu à rua,
                  para ver, se a lua,
                  tinha cães a ladrar
                  entre escombros,
                  de mil assombros,
                  prá alvura a medrar.

                  Pareceu ofendido,
                  o louco descabido,
                  numa noite assim,
                  entre fantasmas,
                  e outros plasmas,
                  uma lua sem ter fim.

                  Julgando má Sorte,
                  ao pelo deu corte,
                  ficando aí careca;
                  e a perder a noite,
                  o frio como açoite,
                  apontou a Meca.

                  Rezou baixinho
                  (estava sozinho),
                  inaudíveis preces,
                  que, as pupilas,
                  ao então senti-las,
                  de fôlego carece.

                  (Um segundo louco,
                  passando à pouco,
                  sem deixar presença).
                  Depois de muito orar,
                  e, de resposta, achar,
                  findou sua sentença.

                  A lua, aziaga não é,
                  da janela ao rodapé,
                  emana seu clarão,
                  dando vida à semente,
                  e à gente diferente,
                  que pisa neste chão.

              

publicado por SISTER às 14:15

      Meus «eus», quando diversos,
      de sonharem-se são dispersos,
      dizem «sim» e «não» os loucos,
      fúteis eruditos, como poucos. 

      Já que por vezes são irascíveis,
      não há no mundo impossíveis,
      e parto espelhos, e cinzeiros,
      gatos pretos, miles reposteiros.

      E este meu ser, sempre febril,
      dá-se mal, com os ares de Abril,
      em que o pólen serena no ar,
      diria: só e só para me contrariar.

      Sou um em muitos a me pensar,
      duplo ser, que preferiria sonhar,
      aí, debaixo dessa árvore carnuda,
      e que, minha boca, fosse já muda.

      Mas, que faço eu, com a poesia?
      Ao poeta, sua Sorte não lhe fugia,
      mesmo que quisesse outra coisa
      ser, no seu dia: ele já é essa coisa.

      Então retomo com os meus Entes,
      todos eles em si muito diferentes,
      personalidades fortes, ou frágeis,
      cabe a mim moldá-los: as imagens.

      Sempre um verso, que escrever,
      na esperança que outros o vão ler,
      e quer gostem ou não gostem nada,
      deixem sinal da sua breve passada.

      Não! Não me dêem vinho, a beber!
      Quero estar lúcido, ao escrever!
      Que do passado, que foi tão só meu,
      a muitos, pai e mãe, entristeceu.

      Este é o Fado de um poeta, versar
      sem parar, a nos seus leitores pensar,
      como se fosse para si o que rima
      na folha, quando este, enfim, se atina.

   

publicado por SISTER às 14:14

      Unhas rosáceas
      corpo femíneo,
      cativa de meus
      sonhos lindos,
      quando te vejo
      na manhãzinha
      ensolarada não
      vejo nem quem
      eu sou
      não vejo nada,
      só o teu quadril
      de Mulher.

      Tua pele é alva
      asas no cabelo
      e teus olhos,
      cor do mel
      (sorriso que já
      perdura, inda
      o instante
      vem lá longe,
      caminhando
      meus passos
      na ânsia de
      chegar-me a
      ti), são mares
      reflectindo a
      luz do sol.

publicado por SISTER às 14:13

      Subo ao mais alto de mim,
      e não gosto, do que vejo,
      de um descuidado jardim,
      fica-me o pensar: prevejo.

      Flores que como eu, o viço
      a puir, na liça com o vento,
      acharam-me vão e magriço,
      toquei-lhes, foi-se o alento.

      Deitei mãos, à douta terra,
      começando tudo de novo,
      enquanto lá fora, a guerra,
      levou consigo todo o povo.

      Se bem pensei, melhor fiz,
      e um belo jardim, jardinei,
      pintando a pedaços de giz,
      alegres cultivos que cultivei.

      Nardos, girassóis e jasmins,
      têm agora terra amanhada,
      onde criar raiz - alecrins
      brotarão por entre a chuvada.

      E quando vierem os soldados,
      das lutas, que lá batalharam,
      dormirão muito sossegados,
      junto às flores, que adularam.

      Então serei menos exigente,
      para com a minha pessoa.
      serei sim alegre e contente,
      que a paz vai lá fora: e ressoa.

   

publicado por SISTER às 14:12

                 Aqui, aonde desce até mim,
                  o meu eu acontecido,
                  não sou mais que aparecido,
                  do que vai de mim até mim.





                  Se me conheço, sou espanto,
                  como um rio sem ter correr.
                  águas paradas, do meu ser,
                  que no cais, deixo entretanto.





                  Construo barcos à semelhança
                  de outros barcos, na maresia -
                  nasce o sol ou cai o dia,
                  meus barcos sem esperança.





                  Galgar ondas, ir na espuma
                  do mar; ser pleno movimento,
                  um braço em anuimento,
                  baixando a mão até à escuma.





                  Mas irreal eu sou, proscrito!
                  no pensamento e na Razão.
                  O que verso - será emoção?
                  Ah!, nunca por nunca, contrito!





                  Em sonhos me sonhei outros
                  «eus», não o que vos escreve,
                  pareciam uma resenha breve,
                  e eram todos, pouco doutos.





                  Julguei que assim estava bem,
                  àquele que vos apresenta,
                  em cores, da cor da magenta,
                  e não muda a vida de ninguém.





                  Mas, se sou aqui, aparecido,
                  meu ser terá alguma nobreza
                  (meus pais, com certeza!),
                  e hei-de fiar, outro ser nascido.





                  Entanto vou por aí a sonhar,
                  enquanto a imaginação quiser -
                  se está guardado a quem houver
                  sonhar, abre-se de par em par.





            

publicado por SISTER às 14:11

                 Caiu sobre nós a desgraça,
                  vil, atroz, assentou praça -
                  roubando-nos o descanso,
                  e o gesto, sereno e manso.

                  Alzheimer é, em seu início:
                  disse-o a médica plo orifício
                  dos óculos, de lente larga,
                  comigo e a mãe, à ilharga.

                  Aceitamos como evidência,
                  e às mãos da douta ciência,
                  entregamos o querido pai,
                  que por ora de casa não sai.

                  A medicina traz-lhe epilepsia
                  junto com tremuras dia a dia,
                  desfalecimentos abruptos,
                  que os veios estão corruptos.

                  O melhor será ida ao hospital,
                  para que tratem do pai afinal -
                  por mais cuidados que hajam
                  melhor que nós outros reajam.

                  Difícil vê-lo, pai, aí, tão doído,
                  sem reacção, demais sofrido,
                  e deixo vaguear a imaginação,
                  vendo-te passear qual alazão.

                  Volta, para nós, pai, peço-te!
                  Eu sei que és forte, conheço-te!
                  E nada te vencerá - o destino,
                  se nosso fado, só o é em menino.

            

publicado por SISTER às 14:10

21
Fev 11

Entre o vale das paixões encontro-te...

Olhares trocados, beijos, sussurros, juras de amor eterno,

começamos a cavalgar pelos dias como se fossemos donos do planeta

pouco importando se dias se colocariam com o sol, ou nublados...

Éramos donos do tempo...



Passamos pelos dias com a certeza que nossos corações

jamais teriam dúvidas de nosso amor,

e, ao cavalgar entre borboletas

que saudava-nos em nossa historia de magia,

conhecemos a cor e o encanto...



O bater de asas ensejava liberdade de voar...

Encontrávamos pelos bosques, vivenciando a beleza de arbustos e flores

entre o forte e delicado éramos exemplos de corações apaixonados

que não sentiam o cavalgar do tempo...

Entre flores, fizemos aconchego de nossas emoções,

entre as águas banhamos nossos corpos

entregue aos segredos da lua dos amantes,

e, entre as nuvens sentíamos a renovação desta força...



Passamos a cavalgar entre pedras e caminhos que antes pareciam fáceis, transformaram-se em percursos de exaustão...

Entre eles postar-se-iam a tentação, por momentos a tropeçar,

pudemos logo ver sermos únicos, e sobre nossos corcéis

demos costas das tristes lembranças...



De mãos entrelaçadas...

Partimos novamente pelos territórios que se apresentavam a cavalgar, enfrentando nossas dificuldades, agora com nossos corações...

Que se fez renovado pela dor, e de nossos dias fizemos dias de sublime relação entregando-se de vez a este amor que serve como nosso alimento

Nossos corcéis passam a ser alados, encantados...

Levando-nos, enfim, a uma vida

onde nossa cavalgada não encontrará mais obstáculos...




publicado por SISTER às 15:10

A alma da poesia está no Universo,
Viaja entre as colinas, sobrevoa o mar.
No olhar de uma criança escreve versos,
E feliz se põe a sorrir... cantar e bailar!


A alma da poesia está na pequena flor
Que germina e nasce para perfumar...
Nas mãos calejadas do semeador,
Que, cedinho, incansável, a terra vai arar!


A alma da poesia está no sol que desponta,
Nas mãos delicadas de uma mulher em oração.
Na misteriosa e sedutora lua que aponta...
No prazer do homem, que para casa traz o pão!


A alma da poesia está em nós, em mim...
Em toda a beleza que se pode enxergar,
Na fragrância das rosas, no cheiro de capim,
No fascínio da vida, na magnitude de amar!



publicado por SISTER às 15:09

É noite... Já vai longe o dia...
Como a lua... Vou lentamente
Mergulhando na doce magia
Que vibra em mim intensamente.

Poesia invadindo meus poros...
As mil juras vadias adormeceram,
Reluto em aceitar, mas não choro,
Os tênues fios se desprenderam.

Resta-me o luar para pensar,
A vida para ser vivida, retomada,
Sem ter mais o que esperar...
Botar o pé de vez na estrada!

É noite, escuro deitado na alma,
Pontos de luz enfeitam a cidade.
Deixo-me ficar assim abandonada,
Em devaneios, fantasias, saudade!

É noite... Tudo se veste de negro,
O sonho parece ser tangível...
Noite pede silêncio, sossego...
Até parece... Que ser feliz é possível!


publicado por SISTER às 15:08

Me entrego à solidão e ao silêncio...
Fecho os olhos... E sinto suas mãos...
Elas me acariciam, tocam meu rosto...
Vertiginosamente acelera meu coração.

Ah, querido meu, que triste é a distância!
Choro desconsolada como uma criança,
Você não está, estou imensamente só...
Soluçando... Enquanto a noite avança...

Não... Não posso mais ficar sozinha,
Deus... Tenha pena de mim, por favor...
Meu peito já não suporta tanta saudade,
É muito castigo para o nosso amor!...

Solidão que leva meu sorriso, a esperança,
Leva minha coragem, minha fé, minha vida...
Deixando meu corpo inerte como a morte...
- Vá embora solidão cruel... Homicida!...

Nosso amor vencerá a distância, o temor...
Sairá triunfante de toda essa desdita...
Seremos uma só alma... Os dois... Um só...
Juntos para sempre, nessa afeição bendita!

publicado por SISTER às 15:07

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