Da janela do quarto,
vejo duas flores luminosas,
que me chamam
para ver o sol.
Coloco o cachecol
e o lenço na cabeça,
jogando para trás.
com elegância,
a sua ponta franjada.
Ajeito o óculos,
há tanta coisa para ver
lá fora, gente e natureza.
Ontem chovia muito
e me senti em plena
caverna de Platão,
o dia todo defronte à televisão.
Pego a bengala,
vou andando devagar.
A porta do asilo
está fechada.
Olho por entre as grades,
uma criança brincando,
lá fora.
Ao me ver,
ela chega sorrindo
e me diz:
- Me dê a mão
vamos sair
pra ver o sol....
No espelho do seu olhar,
vi a mim mesma,
no passado,
alegre e feliz.
Perguntei seu nome
e ela respondeu Tere.
Fez várias perguntas,
que me soaram
como versos de uma poesia.
Nem sei como,
me vi do lado de fora,
de mãos dadas com Tere,
abandonando a solidão
das paredes do asilo
e juntas fomos ver
os pingos da chuva.
Pérolas brilhantes,
na venturosa manhã de sol.
Guida Linhares