Bem Vindos O que os homens chamam de amizade nada mais é do que uma aliança, uma conciliação de interesses recíprocos, uma troca de favores. Na realidade, é um sistema comercial, no qual o amor de si mesmo espera recolher alguma vantagem. La Ro

23
Ago 10

Não fez mais que a obrigação,

um conceito tão antigo,

que lembra até o castigo,

dado por Deus a Adão,

vais ter que ganhar o pão,

com o suor do teu rosto,

vindo em seguida um aposto,

crescei e multiplicai-vos.

uns aos outros amai-vos,

essa é vossa missão.



E, desde então, como pais,

por nossos filhos lutamos,

muitas vezes arquejamos,

sofremos cada vez mais,

em lutas tão desiguais,

num mercado financeiro,

onde prima o dinheiro,

onde tudo tem seu preço.

até, por vezes, o apreço,

infelizmente, compramos.



E é nessa luta renhida,

que com abnegação,

e extrema dedicação,

enfrentamos qualquer lida,

damos até nossa vida,

pra que com dignidade,

com carinho e lealdade,

cada filho tenha espaço,

e vença sem descompasso,

com bravura incontida.



Meu pai, aqui na sacada,

olhando esse mar imenso,

confesso que fico tenso,

revendo cada passada,

de uma dura caminhada,

que você empreendeu,

num sofrimento tão seu,

que a pouca instrução,

deu-lhe tão pouca opção,

pra amenizar nossa estrada.



Ninguém foi mais consciente,

da obrigação que tinha,

você lutou numa rinha,

com arma insuficiente,

pobre e deficiente,

com um ganho miserável,

que o deixava tão instável,

ao se ver desprotegido,

num ambiente sofrido,

pra cuidar de sua gente.



O estudo era precário,

só tinha o Grupo Escolar,

e até pra estudar,

nos faltava o numerário,

e foi nesse itinerário,

foi nessa vida de cão,

foi nessa desolação,

que você cuidou de nós,

nunca nos deixou a sós,

enfrentou o seu calvário.



A conta do armazém,

o seu ganho superava,

mas tudo isso enfrentava,

pois quando falta o vintém,

é no amor que se tem,

que se busca uma saída,

pra nos dar casa e comida,

um roçado alugou,

e a todos convocou,

pra recompor nossa vida.



E fomos todos pra roça,

plantar arroz e feijão,

milho e até algodão,

do sofrer fizemos troça,

foi essa humilde carroça,

que bem longe me levou,

e agora, aqui, estou,

apenas pra lhe dizer,

que entendi seu sofrer,

que seu viver Deus endossa.



De você jamais cobramos,

um curso superior,

nem um anel de doutor,

nosso padrão validamos,

de você não reclamamos,

nada do nosso direito,

pois tudo por nós foi feito,

dentro do seu limite,

só quero que acredite,

de verdade, lhe amamos.



Nem sempre essa obrigação,

fica dos pais ao alcance,

pois muitos não tem chance,

de dar alimentação,

muito menos instrução,

temos que ter consciência,

que até a sobrevivência,

para muitos é um fardo,

um dilacerante dardo,

um amargurado lance.



Eu venho, então, nesse dia,

nesse meu depoimento,

dizer-lhe do sentimento,

que minha alma irradia,

de inaudita alegria,

por Deus ter me agraciado,

por ter vivido ao seu lado,

e aprendido a ser gente,

a enfrentar consciente,

esta estrada árdua e fria.



Foi sua determinação,

sua força de vontade,

foi sua dignidade,

que me deram a visão,

que sem superação,

vivemos pela metade,

não amamos de verdade,

somos meros viandantes,

tão perdidos e errantes,

na mais triste solidão.



Nesse seu dia,então,

eu me sinto orgulhoso,

você foi maravilhoso,

com toda limitação,

cumpriu bem sua missão,

essa sua trajetória,

que integra minha história,

é a mais rica herança,

minha bem-aventurança,

meu elo de ligação.

publicado por SISTER às 13:51

28
Dez 09

Eu nunca gostei do "NÃO",
pois bloqueia o desafio,
traz-nos sempre a sensação,
de nó, tropeço e vazio.

Existe o "NÃO" carinhoso,
que não encerra o cenário,
ajusta num tom mavioso,
passos do itinerário.

Existe o "Não" displicente,
quando o amor arrefece,
que cala a alma da gente,
e o coração emudece.

Existe o "NÃO" amargoso,
quando o afeto se esvai,
ele é frio e doloroso,
é dor que fere e não sai.

Certamente é o pior "NÃO" ,
é o nó cego da vida,
que nos deixa ao rés do chão,
sem rumo e sem guarida.

Eu vim procurar o  "SIM",
nesse seu rumo feliz,
recebí um 'NÃO", assim,
amargo e sem matiz.

 

publicado por SISTER às 14:16

22
Set 09

Faz bem está abrigado,
seja da  Chuva ou do sol,
e acordar agraciado,
com a beleza do arrebol.

A chuva cai, mansamente,
lavando toda a aspereza, 
que faz a alma da gente,
se respingar de tristeza.

Aquele frio gostoso,
faz da rede um cobertor,
trazendo um clima ditoso,
 para um afago de amor.
 
A natureza verdeja,
retoca seu visual,
enquanto o amor viceja,
 num florescer divinal.
 
Chuva vai, chuva vem,
é a vida que se renova,
e o bem-querer que se tem,
 ressoa como uma trova.
 
E a rima de cada verso,
pingando dentro da alma,
nos integra ao universo,
 e o coração se acalma.
 
A chuva é, certamente,
um recado meigo e terno,
de Deus que, suavemente,
nos fala de um amor eterno.

publicado por SISTER às 09:59

24
Ago 09

Nega eu tô tão maguin,

tu nun vai mi cunhecê,

só pru causa di ocê,

qui nun pensa mais nin mim,

e eu aqui avexadin,

correndo atrás duns papé,

qui o padi só bota fé,

só deixa nóis si juntá,

dispois qui ele abençoá,

no artá de São José.

 

Eita caba curioso,

me pediu um documento,

preu prová meu nascimento,

o padi anda cestroso,

só pruquê sô buliçoso,

pensa qui eu num sô eu,

si nun fôssei seu Romeu,

aquele véi sacristão,

mostrou qui na certidão,

o nome ali era o meu.

 

E tem um tá di procrama,

onde vai anunciá,

qui nós dois vai se casá,

e si o nêgo recrama,

o padi véi faiz um drama,

qué qui nós vá prun cursin,

pra aprendê o camin,

inda qué nos insiná,

como se carsa o preá,

esse adora um fuxiquin!

 

Minha vista anda iscura,

teu pai tá disconfiado,

o véi tá andando armado,

cum revolvi na cintura,

comprei uma ferradura,

e pindurei na janela,

já grudei meus óio nela,

teu pai é mei brucutu,

si eu botá chifre in tu,

arranca minha guela.

 

A data já tá marcada,

convidei pressa festança,

toda nossa vizinhança,

na Igreja decorada,

a missa vai sê rezada,

contratei um sanfonero,

pra nóis dançá no terrero,

e vai sê pinga rolando,

todo mundo arrebolando.

 

Já ingordei seis cabrito,

trinta galinha caipira,

tem um boi gordo na mira,

nóis tem qui fazê bonito,

senão teu pai mete o grito,

comprei cem litros de pinga,

20 de custela minga,

  a sanfona vai rugir,

     dá tempo pra nós fugir,

  bem no rumo da caatinga.

publicado por SISTER às 13:58

07
Ago 09

Se a bebida afogasse,

toda mágoa e tristeza,

não havia quem encontrase,

nos bares lugar na mesa.

 

Não vai mais adiantar,

as mágoas de tão sabidas,

aprenderam a nadar,

não ligam mais pra bebidas.

 

Não podendo dar rasteira,

nem mais a dor afogar,

tomou-se, então, companheira,

da pinga em mesa de bar.

 

As doses se multiplicam,

não afogam o desencanto,

mágoas e tristezas ficam,

só a vida perde o encanto.

 

E de tanto se beber,

a mente é quem se embriaga,

sem conseguir esquecer,

o amor que não nos afaga.

 

Lá na mesa da Caatinga,

naquele bar do sertão,

quanto mais se bebe pinga,

mais aumenta a solidão.

 

Quando se perde o encanto,

e o cabra arqueja de dor,

só recupera o acalanto,

com uma dose de amor.

 

É por isso que se diz,

só se cura dor de amor,

com um novo amor feliz,

num novo jardim em flor.

 

É costume no sertão,

a cada dose de pinga,

o cabra cuspir no chão,

parece que a dor respinga.

 

O amor é uma goteira,

por onde o carinho pinga,

e se passa a vida inteira,

buscando esse restinga.

 

A primeira é pro santo,

que Deus põe no nosso encalço,

que enxuga o nosso pranto,

se nos assola o percalço.

 

Entrei no Bar da Esquina,

com aquela dor esquisita,

a dor que a alma confina,

e que deixa a mente aflita.

 

A dose pra aflição,

vem da cachaça ternura,

que pinga no coração,

uma gota de brandura.

 

A dose pro desespero,

vem da cachaça juizo,

que amaina o destempero,

e é da prudência o guizo.

 

A dose pro mal de amor,

vem da cachaça esperança,

o melhor desbloqueador,

da falta de confiança.

 

A dose pro pessimismo,

vem da cachaça auto-estima.

que alavanca o altruismo,

e em compreensão colima.

 

Aqui no meu Ceará,

quando a dor a alma broca,

é numa mesa de bar,

que a tristeza nos toca.

 

Nesse Bar dos Sentimentos,

se você diz que me ama,

eu esqueço os meus tormentos,

e encho o copo de rama.

publicado por SISTER às 11:52

São Lucas é o narrador,

desse sermão reluzente,

onde pra Cristo a Semente,

é a palavra do Senhor,

Ele é seu semeador,

que saiu a semear.

sua doutrina plantar,

nos mais diferentes solos,

e nos mais distantes polos,

regada pelo amor.

 

O solo é a alma da gente,

que precisa ser cuidada,

pela esperança irrigada,

para que brote a semente,

mesmo em solo resistente,

mas que se não for tratada,

com carinho adubada,

jamais vai frutificar,

simplesmente vai secar,

morre prematuramente.

 

Aquelas sementes lançadas,

à beira dos caminhos,

servirão aos passarinhos,

ou serão pisoteadas,

por pessoas desvairadas,

que se julgam importantes,

com idéias delirantes,

que desdenham da pobreza,

idolatram a riqueza,

de Deus vivem afastadas.

 

Se a semente for plantada,

no meio de um pedregulho,

onde haja muito entulho,

será, então, sufocada,

e sendo tão abafada,

jamais poderá crescer,

falta-lhe o enternecer,

são corações tão obscuros,

resistentes e tão duros,

que não bombeiam mais nada.

 

No meio das pedras morrem,

pois lhes falta humidade,

pra lhe dá vitalidade,

são os que na vida correm,

não se doam nem socorrerm

os que se sentem sozinhos,

perdidos pelos caminhos,

murcham, então, lentamente,

tocam a vida tristemente,

esses exemplos ocorrem.

 

As lançadas entre espinhos,

todas elas não brotaram,

as plantas que as sufocaram,

negaram-lhes os carinhos,

e assim nesses caminhos,

não conseguiram nascer,

não as deixaram crescer,

são pessoas invejosas,

por não serem talentosas,

que amargas jamais sonharam.

 

Se em terra boa cairem,

de tudo serão supridas,

e sendo bem acolhidas,

os frutos que produzirem,

e aqueles que consumirem,

serão sempre solidários,

e em seus itinerários,

serão fiéis servidores

do amor, da paz defensores,

felizes por existirem.

 

"Quem quiser ouvir que ouça",

assim Jesus concluiu,

e logo dali partiu,

proteja-se nessa touça,

a fé não é uma louça,

que se guarda com cuidado,

pra não vir a ser quebrada,

ela é uma fortaleza,

construida na certeza,

e não uma estéril bouça.

 

Foi essa a simbologia,

que Jesus utilizou,

que o povo escutou,

que exige ousadia,

pra caminhar nessa via,

exige perseverança,

muita fé e esperança,

para a vida assumir,

dela jamais desistir.

 

Fiquei tão maravilhado,

com esse belo sermão,

que me vi na multidão,

ali num canto sentado,

naquela figura centrado,

senti-me na Galileia,

bem no meio da platéia,

e saí andando a esmo,

pois o homem é o mesmo,

ficou no tempo parado.

 

É graças à informática,

e à comunicação,

toda essa evolução,

não importa a temática,

nem qual seja a problemática,

com a mesma instantaneidade,

sofremos com a crueldade,

vibramos com  ciência,

xingamos a  violência,

evolução e estatica.

 

O homem está doente,

usa a tecnologia,

pra sufocar a magia,

obnubilar a mente,

tirar de dentro da gente,

o amor desinteressado,

o gesto humanizado,

o abraço fraternal,

de doação integral,

da verdade consciente.

 

Se Jesus, hoje, viesse

pra região nordestina,

e como na Palestina,

as mesmas curas fizesse,

iguais verdades dissesse,

veria o mesmo cenário,

teria o mesmo calvário,

a mesma decepção,

trocado por um ladrão,

como se culpa tivesse.

 

Aqui da lei os doutores,

exemplos de probidade,

defensores da verdade,

seriam os senadores,

e todos esses pastores,

que vendem lotes no céu,

e deixam perdidos ao léu,

essa multidão carente,

maltrapilha e indigente,

vítima de malfetores.

 

Se Deus, então, repetisse,

o que fez em Nazaré,

e encontrasse um José,

um carpinteiro de fé,

e uma Maria existisse,

que a tudo resistisse,

à  seca, à fome,à descrença,

abandono e indiferença,

e pudesse sublimar,

a coragem de amar,

talvez, então, conseguisse.

 

É esse o meu dilema,

um violento conflito,

em permanente atrito,

se a ciência é o tema,

crescer não é o problema,

mas se olho a consciênica,

e analiso a violência,

vejo o homem das cavernas,

com aspirações eternas,

com o mesmo estratagema.

publicado por SISTER às 11:47

11
Out 08

Desigualdades, ofensa.
descaso e desamor,
essa é a cruel sentença,
do ser humano agressor.

Toda essa desigualdade,
não é obra do acaso,
pois sem solidariedade
predomina o descaso.

publicado por SISTER às 09:22

Essa lágrima avisa,
que não somos maleáveis,
nossa dor só suaviza,
quando nós somos amáveis.

Uma lágrima de amor,
desce sempre cristalina,
como um sinalizador,
de uma ternura divina.

Ela contorna a tristeza,
e as fugas da velhice,
e reflete a grandeza,
de um gestdo de meiguice.

Uma lágrima de dor,
é do tamanho do pranto,
ela sempre um cobertor,
que cobre o desencanto.

Não importa o momento,
muito menos o motivo,
é um doce sentimento,
que mantém o amor vivo.

E se ela emudece,
esse divino semblante,
faça, aqui, sua prece,
chore também um instante.

 

publicado por SISTER às 09:18

18
Ago 08

Como é maravilhoso,

            acordar, sentir,ouvir,

            o acorde harmonioso,

            da ópera do existir,

            que meu Pai atencioso,

            cuida de mim a sorrir.

            

            E mesmo desempregado,

            e tendo que recorrer,

            ao anúnico publicado,

            que eu acabei de ler,

            jamais fico desolado,

            pois Deus vai me acolher.

            

            Se num leito de hospital,

            luto pra sobreviver,

            creio que nenhum mal,

            irá me acontecer,

            nessa certeza total,

            que Deus vai me acolher.

            

            Mesmo quando injustiçado,

            e na prisão fui bater,

            por um pão eu ter roubado,

            pra de fome não morrer,

            não fico desesperado,

            justiça Deus vai fazer.

            

            E se por não ter um teto,

            ao relento adormecer,

            esquecido, sem afeto,

            por abandonado ser,

            sou menino predileto,

            tendo Deus pra me acolher.

            

            Como menino de rua,

            quero a Deus agradecer,

            poder dormir com a lua,

            tendo o céu a me aquecer,

            a verdade nua e crua,

            é que Deus vai me acolher.

            

            Mesmo estando amparado,

            por um grande amor  viver,

            vendo um casal separado,

            e os filhos a sofrer,

            só não fico transtornado,

            pois Deus os vai acolher.

            

            Ao ver uma bala perdida,

            cessar o enternecer,

            de uma criança querida,

            vendo uma mãe sofrer,

            conforta-me nessa vida,

            ter Deus para interceder..

            

            Ao ver que os traficantes,

            deixam todos a temer,

            e poderes importantes,

            não conseguem resolver,

            os que jazem agonizantes,

            Deus sempre os vai acolher.

            

            Se estou entre os excluídos

            e assisto enriquecer,

            corruptos e atrevidos,

            deixando o povo a sofrer,

            carentes, desassistidos,

            Deus sempre os vai receber.

            

            Se entre os deficientes,

             vagueio sem nada ver,

            e tantos incosequentes,

            não sentem meu padecer,

            tantos afagos pendentes,

            Deus irá todos devlvolver.

            

            São essas minhas certezas,

            que as guardo com carinho,

            são também minhas defesas,

            que Deus pôs no meu caminho,

            cercou-me de tantas belezas,

            pra não me deixar sozinho.

publicado por SISTER às 07:26

17
Ago 08

Se você está sofrido,
aparentemente só,
e de você tendo dó,
como se estivesse excluído,
e por todos esquecido,
vá lá no bar da esquina,
onde a vida lhe ensina,
que quem perde a auto-estima,
a esperança dizima,
vagueia, anda perdido.

Não pense ser isto sina,
sente-se naquela mesa,
no lugar onde a certeza,
dir-lhe-á que não termina,
o vagar de quem assina,
um pacto com a esperança,
no qual Deus sempre afiança.
o resto do seu vagar.
e as mesas desse  bar,
é o amor que ilumina.
      Um abraço fraterno,

 

publicado por SISTER às 10:04

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