Bem Vindos O que os homens chamam de amizade nada mais é do que uma aliança, uma conciliação de interesses recíprocos, uma troca de favores. Na realidade, é um sistema comercial, no qual o amor de si mesmo espera recolher alguma vantagem. La Ro

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Mai 07

Patrícia sentiu o seu mundo desabar quando após onze anos de casamento o marido lhe anunciou o divórcio e a saída de casa. O seu primeiro pensamento foi para os filhos: o menino tinha apenas cinco anos e a menina, quatro. Dúvidas a assaltaram. Será que conseguiria manter a família unida? Será que conseguiria transmitir-lhes o sentido de família? Será que, criando-os sozinha, conseguiria manter o lar, ensinar-lhes ética, valores morais e tudo o mais que precisavam para a vida?

O importante era tentar. E ela tentou. Durante a semana arranjava tempo para rever os deveres de casa, discutir a importância de fazer as coisas certas. Nos fins de semana, um programa infalível era levá-los à evangelização. Era importante alimentar os seus espíritos com as lições de Deus, de Jesus, a Boa Nova.

E assim passaram dois anos. No dia das mães foi preparada uma homenagem muito bonita, num templo religioso. Falou-se a respeito da difícil tarefa de ser mãe e do reconhecimento que esta merecia. Finalmente, foi pedido a cada criança que escolhesse, dentre as tantas flores que estavam em vasos, uma para dar à sua mãe, como símbolo de amor e de estima.

Os filhos de Patrícia encaminharam-se até as plantas. Enquanto esperava, Patrícia pensava nos momentos difíceis que os três tinham passado juntos. Olhou para as begônias, para as margaridas, para os amores-perfeitos e ficou a planear onde plantar o que escolhessem para ela. Com certeza, uma linda flor, demonstração do seu amor.

Todas as crianças já tinham escolhido as flores e ofertado às suas mães, enquanto os filhos de Patrícia continuavam a escolher. Pareciam levar a tarefa muito a sério, olhando atentamente para cada vaso. Finalmente, com um grito de alegria, acharam uma ao fundo. Com sorrisos a iluminar os seus rostinhos, avançaram até onde ela estava sentada e a presentearam com a planta escolhida.

Ela olhou estarrecida. A planta estava murcha, com aspecto doentio. Aflita, aceitou o vaso que os filhos lhe estendiam. Era óbvio que tinham escolhido a planta mais pequena e mais doente. Nem flor tinha. Ela sentia vontade de chorar. Mas eles olhavam para a plantinha todos orgulhosos, sorridentes. Mais tarde, já em casa, Patrícia não se conteve e perguntou:

- Por que é que no meio de flores tão bonitas, vocês escolheram esta para me dar?
Ainda orgulhoso, o menino declarou:
- Mamãe, esta era a que estava a precisar de ti!
Enquanto as lágrimas escorriam pelo seu rosto, Patrícia abraçou os dois filhos, com força. Eles acabavam de lhe dar o maior presente do dia das mães que jamais podia ter imaginado. O reconhecimento de que o seu trabalho e sacrifício,  não eram em vão. Eles estavam a crescer bem e tinham percebido a linguagem da renúncia e do amor.

***

Não existe uma forma de ser mãe perfeita, mas um milhão delas de tentar ser boa mãe. Esmere-se por ser boa mãe bastante para seus filhos. Sensata, para transformá-los em homens de bem. Correta, para lhes dar exemplos de cidadania. Digna, para exemplificar honra. Amorosa, para lhes falar das coisas que não perecem e criam tesouros além da vida material.

 

(Com base no Capítulo "Flores para o dia das mães", de Patrícia A. Rinaldi,

publicado por SISTER às 06:03

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